Como sabem, as minhas manhãs têm sido agitadas pela extrema sensibilidade que as minhas crias têm nos pés, que as faz queixar-se de tudo quanto seja calçado.
As birras têm sido terríveis.
Para acabar com elas (as birras, entenda-se) já me disseram para as deixar ir descalças (a Tita já esteve quase, mas teve a sorte de o meu coração ter amolecido estava ela a meio das escadas); ou para as deixar ir, em pleno Verão, com as botas de pêlo.
Embora aprecie muito todas as tentativas de resolver este problema, o mais perto que estive de o conseguir foi ontem, dia em que a Tita resolveu empoleirar-se, sem meias, numas sapatilhas super quentes.
Sempre pensei que se ia arrepender rapidamente, e tratei de levar umas crocs para o infantário.
O certo é que andou o dia todo de sapatilhas o dia todo e hoje escolheu-as novamente.
Palavra de honra que, apesar daquilo me fazer confusão (não aguento calçado quente) fiquei aliviada só de saber que, pelo menos ela, não gritaria à conta do calçado.
Devia era ter desconfiado, ao ver que estava a ser tão fácil.
Tudo corria bem, até o papá ficar escandalizado por ver que as sapatilhas não condiziam com o vestido e dizer que EU (tudo eu,tudo eu), ao saber que a madame ia querer calçar as sapatilhas devia ter escolhido uma roupa mais própria.
Foi por pouco que não o fuzilei com os olhos.
A rapariga lá foi de sapatilhas (o preto nunca copromete), sem meias e com um lindo vestido rodado e florido.
Temos pena se as sapatilhas não condizem com o vestido. Pelo menos preservei um pouco o neurónio.
PS
Já agora aproveito para relembrar que, muito raramente, sou responsável pela escolha do look (completo) das cachopas.
terça-feira, 5 de agosto de 2014
A Leonor e o Portugal em festa
A Leonor tem andado numa excitação só pois, ao que parece, está convicta que vai participar num concurso do Portugal em festa.
Segundo me vai contando tem ensaiado uma coreografia, juntamente com a amiguinha que creio ser a mentora do projecto (já que a Leonor nem deve saber o que é o Portugal em festa).
A música permanece no segredo dos deuses, que a moça não de descose.
Só que que vai precisar de um soutien ("daqueles de bikini, mãe"), de uma camisola curta ("daquelas que deixam ver o bigo") e de maquilhagem, "porque é assim que elas andam, mãe".
E assim se vai divertindo, a cachopa.
Pessoalmente, preferia vê-la num registo menos pimba mas quem sou eu para lhe perturbar os sonhos?
Segundo me vai contando tem ensaiado uma coreografia, juntamente com a amiguinha que creio ser a mentora do projecto (já que a Leonor nem deve saber o que é o Portugal em festa).
A música permanece no segredo dos deuses, que a moça não de descose.
Só que que vai precisar de um soutien ("daqueles de bikini, mãe"), de uma camisola curta ("daquelas que deixam ver o bigo") e de maquilhagem, "porque é assim que elas andam, mãe".
E assim se vai divertindo, a cachopa.
Pessoalmente, preferia vê-la num registo menos pimba mas quem sou eu para lhe perturbar os sonhos?
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
Aluna aplicada e trabalhadora
O dia pode ter sido duro, mas toda a dureza se desvanece quando se lêem avaliações como esta
"A Leonor recuperou muito bem da sua ausência e conseguiu atingir todos os objectivos propostos. É uma aluna aplicada e trabalhadora. Transitou para o nível 1. PARABÉNS LEONOR!!!".
A minha Leonor obteve aprovação na piscina e eu sou uma mãe babada.
Não consta que seja um feito espectacular, muito menos inédito, mas estou babada à mesma.
"A Leonor recuperou muito bem da sua ausência e conseguiu atingir todos os objectivos propostos. É uma aluna aplicada e trabalhadora. Transitou para o nível 1. PARABÉNS LEONOR!!!".
A minha Leonor obteve aprovação na piscina e eu sou uma mãe babada.
Não consta que seja um feito espectacular, muito menos inédito, mas estou babada à mesma.
domingo, 3 de agosto de 2014
Charro electrónico. Oi?!!!
Provavelmente não será só em Aveiro que se está a curiosa tendência de abrir lojas de cigarros electrónicos onde antes se comprava e vendia ouro usado.
As lojas nascem como cogumelos, certamente por existir mercado.
O conceito do cigarro electrónico, por si, parece.me parvo quanto baste.
O que não sabia é que também existem charros electrónicos que, diz quem vende, não têm substâncias ilícitas e diz quem é especialisra em adicções pode levar a dependências.
Sem comentários
As lojas nascem como cogumelos, certamente por existir mercado.
O conceito do cigarro electrónico, por si, parece.me parvo quanto baste.
O que não sabia é que também existem charros electrónicos que, diz quem vende, não têm substâncias ilícitas e diz quem é especialisra em adicções pode levar a dependências.
Sem comentários
A perceber o porquê da doença
Ter cancro permitiu-me comprovar algumas daquelas ideias que sempre defendi em teoria.
Uma delas (e que escrevi na 1.ª página do blogue logo no dia em que o criei) é a de que tudo tem uma razão. Por mais difícil que seja percebê-la.
E esse será um dos maiores desafios que qualquer grande adversidade nos traz. O de perceber a sua razão de ser e retirar conclusões que permitam transformar algo muito mau em coisas positivas que nos façam crescer na relação com os outros.
Durante a quimio, comecei a sentir vontade de me tornar missionária.
Estava a reagir bem aos tratamentos e sentia que tinha de mostrar esse exemplo e, com ele, dar força a quem passava pelo mesmo.
Quando, como ontem (e na semana passada), me telefonam ou mandam mensagem a dizer "foi diagnosticado um linfoma ao ...; tens tempo para vir cá a casa tomar um cafézinho?", consigo perceber o porquê da minha doença.
Acredito que não passei/passo por tudo isto em vão e sinto que, dentro daquilo que é possível numa fase tão dolorosa e confusa quanto aquela em que se recebe um diagnóstico de cancro, posso ajudar a serenizar quem me procura cheio de dúvidas e medos. Os mesmos que tenho sentido.
A partilha é, assim, mútua. Dou e recebo alento.
Só assim faz sentido esta coisa de viver.
Uma delas (e que escrevi na 1.ª página do blogue logo no dia em que o criei) é a de que tudo tem uma razão. Por mais difícil que seja percebê-la.
E esse será um dos maiores desafios que qualquer grande adversidade nos traz. O de perceber a sua razão de ser e retirar conclusões que permitam transformar algo muito mau em coisas positivas que nos façam crescer na relação com os outros.
Durante a quimio, comecei a sentir vontade de me tornar missionária.
Estava a reagir bem aos tratamentos e sentia que tinha de mostrar esse exemplo e, com ele, dar força a quem passava pelo mesmo.
Quando, como ontem (e na semana passada), me telefonam ou mandam mensagem a dizer "foi diagnosticado um linfoma ao ...; tens tempo para vir cá a casa tomar um cafézinho?", consigo perceber o porquê da minha doença.
Acredito que não passei/passo por tudo isto em vão e sinto que, dentro daquilo que é possível numa fase tão dolorosa e confusa quanto aquela em que se recebe um diagnóstico de cancro, posso ajudar a serenizar quem me procura cheio de dúvidas e medos. Os mesmos que tenho sentido.
A partilha é, assim, mútua. Dou e recebo alento.
Só assim faz sentido esta coisa de viver.
sábado, 2 de agosto de 2014
Alguém me ajuda a explicar à Leonor que ficar com o lixo do infantário não é uma vitória?
Com as limpezas de final de ano lectivo, há que dar destino a montanhas de cartazes, desenhos e recortes.
Vai daí a Leonor tem trazido para casa Kilos de papel, que vai depositando pelos sítios onde passa.
A minha vontade era pegar em tudo e colocar no papelão, como qualquer cidadã com consciência ecológica devia fazer.
A questão é que, ao ver a cara de felicidade, e orgulho, com que me diz "mãe, a Bela deixou-me ficar com este cartaz", perco a coragem.
Já que eu não consigo, alguém me ajuda a explicar à Leonor que ficar com o lixo do infantário não é uma vitória?
Agradecida.
Vai daí a Leonor tem trazido para casa Kilos de papel, que vai depositando pelos sítios onde passa.
A minha vontade era pegar em tudo e colocar no papelão, como qualquer cidadã com consciência ecológica devia fazer.
A questão é que, ao ver a cara de felicidade, e orgulho, com que me diz "mãe, a Bela deixou-me ficar com este cartaz", perco a coragem.
Já que eu não consigo, alguém me ajuda a explicar à Leonor que ficar com o lixo do infantário não é uma vitória?
Agradecida.
sexta-feira, 1 de agosto de 2014
Piropo
Ontem encontrei-me com o meu homem na Avenida.
Quando me viu, disse "estás tão gira hoje".
Bruta como só uma Neves sabe ser, rosnei "não me digas que nunca me tinhas visto com este vestido !!! Nunca olhas para mim!!!".
E pronto, depois queixo-me de os piropos serem raros.
Quando me viu, disse "estás tão gira hoje".
Bruta como só uma Neves sabe ser, rosnei "não me digas que nunca me tinhas visto com este vestido !!! Nunca olhas para mim!!!".
E pronto, depois queixo-me de os piropos serem raros.
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