Estou tão feliz, que nem imaginam. É o que dá ter AMIGOS de categoria, que nos oferecem uma das coisas mais preciosas que temos hoje em dia, TEMPO. E quando não o têm, inventam.
É muito prendado o meu AMIGO Kinas, desportista de eleição, disc-jockey de renome, empresário de sucesso, com um futuro brilhante na política, e muito mais poderia ser dito. Enfim, é ver para crer.
Não estou a exagerar, já é coisa de família. Começando na mãe, passando pelas irmãs, MM e acabando no cunhado. ÚNICOS, é só o que vos posso dizer.
E, meninas, está disponível (acho eu, que ele não me conta nada).
Obrigada Engenheiro. Está muiiiiiiiiiiiiiito lindo o meu blog. Gostei do novo lay-out (coisa chique).
As minhas limitadas capacidades nunca permitiriam fazer uma coisa tão bonita. Para atingir a perfeição, só fica a faltar o prometido prefácio.
sábado, 31 de outubro de 2009
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Vida Nova
Chamem-me pirosa, mas gosto de ver o "Vida Nova" da Fátima Lopes. É verdade Carlota, não devo ir lá, mas assumo que gosto.
Apesar de a apresentadora não resistir à lagrimita, penso que consegue mostrar histórias de vida comoventes, pela força e coragem de quem as vive, de uma forma muito bonita e menos melodramática que a maioria dos programas de TV.
E numa altura, como esta, em que somos bombardeados com notícias de doenças graves e outras tragédias, é óptimo ficar a conhecer histórias da "vida real" com um final feliz.
Histórias de quem se viu (ou vê) a braços com problemas tão grandes, que para muitos seriam razão para desistir, mas não se deixa vencer. Histórias de quem nos faz sentir muito pequeninos, quando nos lembramos que passamos a vida a lamuriar-nos por tudo e por nada.
Acima de tudo, histórias que nos fazem acreditar que se outros conseguiram, nós também vamos conseguir.
A propósito de uma dessas histórias, quero deixar aqui um beijinho de Parabéns à Liliana. Uma guerreira que já conhecia através do seu blog e hoje vi ser entrevistada pela Fátima Lopes. Mais uma daquelas cidadãs comuns que foi "apanhada" (como diria o execrável homeopata que me consultou) pelo cancro, mas não entregou os pontos.
Foram histórias como as da Liliana que me deram força, no início da m/ caminhada. Obrigada. Liliana, por partilhares a tua luta.
Uma palavra especial ao marido da Liliana. Um Homem com H grande. Sempre presente, ao que tenho visto, nos bons e, especialmente, nos maus momentos.
Também tenho a sorte de ter um assim, ESPECIAL, e sei como é importante. Homens, quem os quer bons arranja-os e mais nada. Digam o que disserem, eles fazem falta
Apesar de a apresentadora não resistir à lagrimita, penso que consegue mostrar histórias de vida comoventes, pela força e coragem de quem as vive, de uma forma muito bonita e menos melodramática que a maioria dos programas de TV.
E numa altura, como esta, em que somos bombardeados com notícias de doenças graves e outras tragédias, é óptimo ficar a conhecer histórias da "vida real" com um final feliz.
Histórias de quem se viu (ou vê) a braços com problemas tão grandes, que para muitos seriam razão para desistir, mas não se deixa vencer. Histórias de quem nos faz sentir muito pequeninos, quando nos lembramos que passamos a vida a lamuriar-nos por tudo e por nada.
Acima de tudo, histórias que nos fazem acreditar que se outros conseguiram, nós também vamos conseguir.
A propósito de uma dessas histórias, quero deixar aqui um beijinho de Parabéns à Liliana. Uma guerreira que já conhecia através do seu blog e hoje vi ser entrevistada pela Fátima Lopes. Mais uma daquelas cidadãs comuns que foi "apanhada" (como diria o execrável homeopata que me consultou) pelo cancro, mas não entregou os pontos.
Foram histórias como as da Liliana que me deram força, no início da m/ caminhada. Obrigada. Liliana, por partilhares a tua luta.
Uma palavra especial ao marido da Liliana. Um Homem com H grande. Sempre presente, ao que tenho visto, nos bons e, especialmente, nos maus momentos.
Também tenho a sorte de ter um assim, ESPECIAL, e sei como é importante. Homens, quem os quer bons arranja-os e mais nada. Digam o que disserem, eles fazem falta
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Não nasci para ser rica
Não há volta a dar-lhe. Não nasci para ser rica, ponto.
Cada qual tem o seu destino e não estou a queixar-me. Tenho mais do que suficiente para viver confortavelmente e feliz. Não vou é atingir aquele estado que permite gastar sem fazer contas. Factos são factos.
Falta-me, definitivamente, o dom de adivinhar tendências e nichos de mercado. Então não é que o cabelo natural está na moda, havendo quem dedique a sua existência a furtá-lo e eu passo a vida a deitar mãos cheias dele à sanita?
Vou longe, vou. Enfim. É certo que o meu cabelo é fininho, leve e, consequentemente, menos valioso. Mas, em todo o caso, "money is money" e, como diz o pai Nando, "quem tem 99 não tem 100".
Ainda por cima, nós temos cabelo que é uma coisa parva. Nunca imaginei. Ele cai, cai, mas cá continuam alguns teimosos que vão disfarçando. Os suficientes para poder dizer que ainda tenho mais que o meu marido, com a vantagem (que já fez questão de me recordar) de ser uma situação transitória. Eh,eh,eh.
A questão não me é indiferente, claro, mas já deixou de me tirar o sono. E tirou-o durante bastante tempo. Muitas noites houve em que acordava cada vez que me mexia, com receio de ter perdido mais cabelo.
Já ouvi dizer vezes sem conta que é um "mal menor". Que seja, mas não deixa de ser um mal e doloroso. Seja pela parte estética, seja por ser um sinal, demasiado vincado e evidente, da doença. Manter algum cabelo permite-me alcançar um dos meus principais objectivos, desde o início, proteger os meus avós.
A parte estética tornou-se ainda mais secundária quando a "minha outra metade" se virou para mim e, de forma completamente espontânea, disse "Lice, quando o cabelo te crescer mantém esse look despenteado".
Mais palavras para quê.
Cada qual tem o seu destino e não estou a queixar-me. Tenho mais do que suficiente para viver confortavelmente e feliz. Não vou é atingir aquele estado que permite gastar sem fazer contas. Factos são factos.
Falta-me, definitivamente, o dom de adivinhar tendências e nichos de mercado. Então não é que o cabelo natural está na moda, havendo quem dedique a sua existência a furtá-lo e eu passo a vida a deitar mãos cheias dele à sanita?
Vou longe, vou. Enfim. É certo que o meu cabelo é fininho, leve e, consequentemente, menos valioso. Mas, em todo o caso, "money is money" e, como diz o pai Nando, "quem tem 99 não tem 100".
Ainda por cima, nós temos cabelo que é uma coisa parva. Nunca imaginei. Ele cai, cai, mas cá continuam alguns teimosos que vão disfarçando. Os suficientes para poder dizer que ainda tenho mais que o meu marido, com a vantagem (que já fez questão de me recordar) de ser uma situação transitória. Eh,eh,eh.
A questão não me é indiferente, claro, mas já deixou de me tirar o sono. E tirou-o durante bastante tempo. Muitas noites houve em que acordava cada vez que me mexia, com receio de ter perdido mais cabelo.
Já ouvi dizer vezes sem conta que é um "mal menor". Que seja, mas não deixa de ser um mal e doloroso. Seja pela parte estética, seja por ser um sinal, demasiado vincado e evidente, da doença. Manter algum cabelo permite-me alcançar um dos meus principais objectivos, desde o início, proteger os meus avós.
A parte estética tornou-se ainda mais secundária quando a "minha outra metade" se virou para mim e, de forma completamente espontânea, disse "Lice, quando o cabelo te crescer mantém esse look despenteado".
Mais palavras para quê.
domingo, 25 de outubro de 2009
A minha gravidez foi:
Tenho feito figura de ursa muitas vezes. Desde as orais na faculdade, a julgamentos durante o estágio, reuniões de trabalho, etc, etc, etc.
Apesar de ter já larga experiência em situações embaraçosas, a mais complicada de todas aconteceu há bem pouco tempo, aquando da 1.ª consulta da Leonor na pediatra.
No início da consulta, a médica perguntou-me "a gravidez correu bem?".
O meu rosto iluminou-se e respondi prontamente, correu.
Ah, quer dizer, estive internada às 28 semanas porque a Leonor estava alojada no lado direito e comprimia-me o rim. Estive uma semana sem conseguir comer e dormir, tantas eram as dores. Mas ela esteve sempre bem.
Ah, e às 19 semanas foi-me detectado um linfoma, que foi removido com anestesia local, bla, bla, bla...... Mas ela esteve sempre bem.
Quando acabei, estava a médica a olhar para mim e a dizer "esta bebé é um milagre".
Realmente, penso agora, se isto é correr bem vou ali e já venho. Senti-me um bocado parva ao dar a resposta. Depois de dizer, com aquela prontidão, que a gravidez correu bem, contar aquele chorrilho de complicações, não parece muito normal.
Mas eu explico, é que os problemas que existiram relacionaram-se sempre comigo. A Leonor mostrou-se muito forte e saudável, durante todo o tempo. E fazia questão de o mostrar com os seus golpes de karate. Daí a dúvida na resposta.
Podia ter tido problemas de grávida normal, tipo enjoos, pernas inchadas e depressão pós-parto, mas não. Tinha de ser mais radical.
E agora vejo-me na situação de não saber como resumir a história da minha gravidez.
Pode parecer uma questão sem importância, mas tem o seu quê. A pergunta persegue-me. Seja na pediatra, na ficha do infantário ou no album de fotos da Leonor, lá está ela.
Depois de dar muitas voltas à cabeça acho que cheguei a uma resposta sucinta mas que retrata muito bem a realidade.
A minha gravidez foi: MUITO DESEJADA.
Agora é só torcer para não me fazerem mais perguntas. Chamem-me tola, mas continuo a achar que correu bem.
A memória é curta, especialmente quando a contrapartida é tão boa.
Apesar de ter já larga experiência em situações embaraçosas, a mais complicada de todas aconteceu há bem pouco tempo, aquando da 1.ª consulta da Leonor na pediatra.
No início da consulta, a médica perguntou-me "a gravidez correu bem?".
O meu rosto iluminou-se e respondi prontamente, correu.
Ah, quer dizer, estive internada às 28 semanas porque a Leonor estava alojada no lado direito e comprimia-me o rim. Estive uma semana sem conseguir comer e dormir, tantas eram as dores. Mas ela esteve sempre bem.
Ah, e às 19 semanas foi-me detectado um linfoma, que foi removido com anestesia local, bla, bla, bla...... Mas ela esteve sempre bem.
Quando acabei, estava a médica a olhar para mim e a dizer "esta bebé é um milagre".
Realmente, penso agora, se isto é correr bem vou ali e já venho. Senti-me um bocado parva ao dar a resposta. Depois de dizer, com aquela prontidão, que a gravidez correu bem, contar aquele chorrilho de complicações, não parece muito normal.
Mas eu explico, é que os problemas que existiram relacionaram-se sempre comigo. A Leonor mostrou-se muito forte e saudável, durante todo o tempo. E fazia questão de o mostrar com os seus golpes de karate. Daí a dúvida na resposta.
Podia ter tido problemas de grávida normal, tipo enjoos, pernas inchadas e depressão pós-parto, mas não. Tinha de ser mais radical.
E agora vejo-me na situação de não saber como resumir a história da minha gravidez.
Pode parecer uma questão sem importância, mas tem o seu quê. A pergunta persegue-me. Seja na pediatra, na ficha do infantário ou no album de fotos da Leonor, lá está ela.
Depois de dar muitas voltas à cabeça acho que cheguei a uma resposta sucinta mas que retrata muito bem a realidade.
A minha gravidez foi: MUITO DESEJADA.
Agora é só torcer para não me fazerem mais perguntas. Chamem-me tola, mas continuo a achar que correu bem.
A memória é curta, especialmente quando a contrapartida é tão boa.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Mais um bebé a caminho
Soube há dias que uma amiga minha de infância vai ser avó. Foi mãe aos 16 anos e agora a filha, de 17 anos, está grávida de 5 meses. Vai ter um menino.
Apesar de ficar feliz, sempre que sei que há uma nova vida em gestação, não posso deixar de ficar preocupada porque é mais um caso de miséria humana.
A história desta família tem sido muito conturbada. Estava com esta amiga quando fumou o 1.º cigarro. Infelizmente, não se ficou pelo cigarro e as coisas complicaram-se muito.
Essa fase horrível passou, mas neste momento está desempregada, assim como o pai do bebé, e a jovem mãe está a fazer um curso de formação profissional.
Como acredito que toda a sociedade tem de se mobilizar para ajudar este e outros bebés com histórias semelhantes, vou dar o 1.º passo.
Assim, peço a todas as mamãs que ainda tenham coisas dos seus bebés (roupa, banheira, produtos de higiene, alcofa ....) ou suas (roupa, discos de amamentação...) para dar, que colaborem. Eu encarrego-me de fazer chegar ao seu destinatário.
Obrigada
Apesar de ficar feliz, sempre que sei que há uma nova vida em gestação, não posso deixar de ficar preocupada porque é mais um caso de miséria humana.
A história desta família tem sido muito conturbada. Estava com esta amiga quando fumou o 1.º cigarro. Infelizmente, não se ficou pelo cigarro e as coisas complicaram-se muito.
Essa fase horrível passou, mas neste momento está desempregada, assim como o pai do bebé, e a jovem mãe está a fazer um curso de formação profissional.
Como acredito que toda a sociedade tem de se mobilizar para ajudar este e outros bebés com histórias semelhantes, vou dar o 1.º passo.
Assim, peço a todas as mamãs que ainda tenham coisas dos seus bebés (roupa, banheira, produtos de higiene, alcofa ....) ou suas (roupa, discos de amamentação...) para dar, que colaborem. Eu encarrego-me de fazer chegar ao seu destinatário.
Obrigada
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Novidades
Cá estou eu, a deitar os bofes pela boca. Sinto-me muito cansada, e mais não faço nada, além de mudar fraldas, dar biberões e pôr roupa da Leonor de parte.
E por falar na roupa da Leonor,estou ansiosa por ter sobrinhas, preferencialmente filhas de amigas e não das minhas manas (que ainda são tão pequeninas). Sobrinhas porquê, 1.º porque cá em casa nem os bodies são unisexo. Viva o pink. 2.º, a rapariga cresce à velocidade da luz, ou seja não chega a "romper as mini saias" e acho um crime que fiquem sem uso. Eh,eh. Fico à espera de notícias.
Voltando às novidades, o cansaço é normal, na semana pós quimio. As análises estavam negativas. Apesar disso, continuo com alguma "soltura". Não me perguntem porquê.
Ontem fui a uma consulta de rotina no IPO, com o dermatologista que eu acho que me "salvou" a vida.
Está tudo bem, quer dizer tenho umas manchas na pele que vou tratar (nada de novo) e fiquei a saber que as marcas de arranhões que tenho vão desaparecer, um dia se não for antes.
Para quem não sabe, um dos sintomas do linfoma era uma comichão insuportável que fazia com que me coçasse 24 horas por dia. Pois é, cocei-me tanto ou tão pouco que as marcas cá estão, horríveis.
Fiquei muito contente por saber que não vou ter de passar o resto da vida, sempre que usar vestidos ou camisolas de alças, a responder à pergunta "o que é isso que tens nas costas"? Ou a ouvir piada sobre as minhas noites, eh,eh,eh.
Esta semana estou na minha casinha, praticamente cativa se considerarmos que moro no 2.º andar, tenho uma giraça que pesa 8 Kgs, e ainda tem de me aturar pelo que vai comigo para todo lado e o elevador está avariado desde 6.ª à noite.
De resto, tudo na mesma e já me chega. Uma animação.
E por falar na roupa da Leonor,estou ansiosa por ter sobrinhas, preferencialmente filhas de amigas e não das minhas manas (que ainda são tão pequeninas). Sobrinhas porquê, 1.º porque cá em casa nem os bodies são unisexo. Viva o pink. 2.º, a rapariga cresce à velocidade da luz, ou seja não chega a "romper as mini saias" e acho um crime que fiquem sem uso. Eh,eh. Fico à espera de notícias.
Voltando às novidades, o cansaço é normal, na semana pós quimio. As análises estavam negativas. Apesar disso, continuo com alguma "soltura". Não me perguntem porquê.
Ontem fui a uma consulta de rotina no IPO, com o dermatologista que eu acho que me "salvou" a vida.
Está tudo bem, quer dizer tenho umas manchas na pele que vou tratar (nada de novo) e fiquei a saber que as marcas de arranhões que tenho vão desaparecer, um dia se não for antes.
Para quem não sabe, um dos sintomas do linfoma era uma comichão insuportável que fazia com que me coçasse 24 horas por dia. Pois é, cocei-me tanto ou tão pouco que as marcas cá estão, horríveis.
Fiquei muito contente por saber que não vou ter de passar o resto da vida, sempre que usar vestidos ou camisolas de alças, a responder à pergunta "o que é isso que tens nas costas"? Ou a ouvir piada sobre as minhas noites, eh,eh,eh.
Esta semana estou na minha casinha, praticamente cativa se considerarmos que moro no 2.º andar, tenho uma giraça que pesa 8 Kgs, e ainda tem de me aturar pelo que vai comigo para todo lado e o elevador está avariado desde 6.ª à noite.
De resto, tudo na mesma e já me chega. Uma animação.
domingo, 18 de outubro de 2009
Tardes de domingo
Ainda sou do tempo em que o futebol se jogava ao domingo à tarde. Coisa rara nos dias que correm.
Nos dias em que os jogos eram fora, as mulheres ficavam no carro a fazer crochet, com as crianças aos berros no banco de trás, enquanto os homens iam à bola.
Quando estava bom tempo, as mamãs levavam a pequenada até aos baloiços ou a dar um passeio pelas redondezas.
Foi assim que conheci, por exemplo, o castelo da então Vila da Feira, mais tarde Santa Maria da Feira, para onde o destino havia de me trazer muitos anos depois.
Longe de ficar traumatizada com estes programas dominicais, para algumas um tanto ou quanto machistas, tornei-me, com o tempo, a companhia do meu pai nos jogos.
Cada tarde de domingo era uma emoção. Está a chover tanto, será que o pai quer ir? E lá ficava eu caladinha, a fazer figas atrás das costas.
O bilhete é tão caro. Lá começavam os adeptos visitantes, entre os quais o meu pai, a praguejar entre dentes, terminando sempre a dizer em voz alta "como é que estes gajos querem que a gente venha ao futebol". E eu caladinha, a torcer para que o pai não desistisse e fossemos embora.
Vibrava com cada vitória do meu Beira-Mar,sofria com as suas muitas derrotas, tinha o calendário dos jogos, recortava os comentários.
Quando terminava o jogo lá regressávamos ao Porto, sempre a ouvir os relatos e os resumos dos outros jogos. Ainda hoje gosto de conduzir tendo os os relatos como "música de fundo".
Para mim, ir ao futebol perdeu a graça, quando o Beira-Mar deixou de jogar no velhinho Mário Duarte. Não temos, como é evidente, dimensão para jogar naquele "elefante colorido". Desapareceu aquele sentimento de proximidade com os jogadores e restantes adeptos. Já nos conhecíamos todos, sabíamos onde se costumava sentar cada um. Estar a assistir a um jogo oficial num ambiente mais silencioso que o de um jogo treino deixa uma sensação de vazio.
Continuo a gostar muito de futebol mas os meus interesses foram mudando, pelo simples decurso da vida.
E cá estou eu, num domingo à tarde, a mexer no baú das memórias.
Nos dias em que os jogos eram fora, as mulheres ficavam no carro a fazer crochet, com as crianças aos berros no banco de trás, enquanto os homens iam à bola.
Quando estava bom tempo, as mamãs levavam a pequenada até aos baloiços ou a dar um passeio pelas redondezas.
Foi assim que conheci, por exemplo, o castelo da então Vila da Feira, mais tarde Santa Maria da Feira, para onde o destino havia de me trazer muitos anos depois.
Longe de ficar traumatizada com estes programas dominicais, para algumas um tanto ou quanto machistas, tornei-me, com o tempo, a companhia do meu pai nos jogos.
Cada tarde de domingo era uma emoção. Está a chover tanto, será que o pai quer ir? E lá ficava eu caladinha, a fazer figas atrás das costas.
O bilhete é tão caro. Lá começavam os adeptos visitantes, entre os quais o meu pai, a praguejar entre dentes, terminando sempre a dizer em voz alta "como é que estes gajos querem que a gente venha ao futebol". E eu caladinha, a torcer para que o pai não desistisse e fossemos embora.
Vibrava com cada vitória do meu Beira-Mar,sofria com as suas muitas derrotas, tinha o calendário dos jogos, recortava os comentários.
Quando terminava o jogo lá regressávamos ao Porto, sempre a ouvir os relatos e os resumos dos outros jogos. Ainda hoje gosto de conduzir tendo os os relatos como "música de fundo".
Para mim, ir ao futebol perdeu a graça, quando o Beira-Mar deixou de jogar no velhinho Mário Duarte. Não temos, como é evidente, dimensão para jogar naquele "elefante colorido". Desapareceu aquele sentimento de proximidade com os jogadores e restantes adeptos. Já nos conhecíamos todos, sabíamos onde se costumava sentar cada um. Estar a assistir a um jogo oficial num ambiente mais silencioso que o de um jogo treino deixa uma sensação de vazio.
Continuo a gostar muito de futebol mas os meus interesses foram mudando, pelo simples decurso da vida.
E cá estou eu, num domingo à tarde, a mexer no baú das memórias.
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